quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nós, futuros idosos, como seremos?

Hoje vinha caminhando pelas ruas quando vi uma idosa senhora com uma muleta. Fiquei pensando nas dificuldades impostas pela idade e também em como seria eu com mais idade, no futuro.
Nas minhas loucas viagens mentais passei por tudo o que eu gosto de fazer e não gostaria que a idade fosse empecilho para que tais tarefas do dia a dia deixassem de ser realizadas. Pensei logo no carnaval que me acabo dançando, coloco roupas engraçadas, adereços estranhos, mas nessa idade tudo é permitido. Quando mais velho beira o ridículo. Lembrei-me de uma senhora no Bola Preta vestida de vedete: UMA ABERRAÇÃO. Eu logo disse para uma amiga: Se quando eu estiver velha me arrumar assim, não permita que eu saia de casa, me da muita porrada pra eu cair na real.
Lembrei de um texto que circula pela internet, cuja a autoria é dada ao médico Drauzio Varela que diz o seguinte: “No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas eles não se lembrarão para que servem". Imaginei as velhas de amanhã piores que algumas que vejo hoje em dia, onde esticam tanto a pele se rendendo às plásticas que parecem o coringa do Batman. Sem noção do ridículo. Infelizmente a frase do Varela tem grandes chances de se tornar a nossa realidade no futuro. As aparências são extremamente valorizadas e a saúde mesmo em segundo plano.
A cena mais bizarra da minha imaginação foi projetar, mesmo que mentalmente, o meu baile da terceira idade. Como sou democrática pensei nas diversas tribos existentes nos dias atuais. Lembrei do show do Paul MCCartney, váááários velhinhos vestidos como roqueiros perpetuando aquela história. Agora realiza os velhinhos vestidos de emo. Pode ser pior: De Carla Perez com as roupas sensuais dançando Segura o Tcham. Ainda não acabou a tortura: Vestidos de Zé de Camargo e Luciano com aquelas calças justas de couro que parecem que entraram à vácuo. Pensa que acabou? Não, afinal tudo sempre pode piorar: Imaginem as funkeiras e funkeiros: Elas no estilo Valesca popozusa e eles com as calças sem cintos, no meio da bunda imitando o Catra e todos dançando no Chão, chão, chão, chão.... E a coluna sem agüentar.
Ah!! Não posso esquecer dos que curtem raves: Imaginem um monte de velho, em várias tendas, cheio de alucinógenos nas idéias naquele ritmo louco. Praticamente a visão do inferno. Temos também os roqueiros que pulam como loucos nos shows, escutam as músicas altas, sempre com a cabeça pra frente e pra trás (quem sofrer do mal de Parkinson vai ser tranqüilo).
E as roupas de amanhã como serão? A imagem da vovó de antigamente tricotando no sofá da sala, com aquelas roupas sem cor, sem brilho não existe mais. As tendências da moda da terceira idade daqui há 30 / 40 anos como serão?
Parei minha viagem quando lembrei da parte mais dura dessa realidade que são os idosos esquecidos nos asilos, com as mínimas condições de sobrevivência. Pensei nos que nem conseguem comprar os remédios necessários para amenizar as dores trazidas com a idade.
Espero que a minha velhice seja tranqüila, não quero viver muito, apenas o suficiente para transmitir boas mensagens por onde eu passar.