sábado, 24 de agosto de 2013

Permitir



Tenho aprendido que há pessoas que entram em nossas vidas e outras que apenas passam. Ambos “os tipos” quando chegam não há razão aparente, mas a vida e seus caminhos nos mostram quais vão ficar e quais apenas passarão.
Por diversas vezes me vi tentando fazer com que algumas pessoas ficassem e, outras vezes, pessoas que já deveriam ter ido insistiam em ficar. Saber o momento certo de ir ou se há “espaço” para ficar é fundamental.  Da mesma forma, que saber quem pode ficar em nossas vidas ou quem deva partir pode ser dolorido e confuso, mas necessário.
Que eu saiba o tempo certo de permanência de cada um, pois a todo o momento tenho recebido do universo a certeza de que o que é de verdade é pra sempre, independente da presença física, pois estão em meu coração e vice-versa.
Se permitir ir, se permitir ficar. Permitir “que fiquem” e permitir “que se vão”. O verbo em questão é o “permitir”.  Por isso, me permito ser feliz. Que fique quem quiser ficar e que quem não quiser que se vá, na certeza de que nada é mero acaso.

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso. "

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O espetáculo continua



Após encerrar um capítulo nesse meu espetáculo chamado vida decidi não mais ser meia verdade, ser meia entrega. Eu queria, e quero,  ser EU por inteira.
Escrevi novos capítulos e abri espaço para novos personagens. Mudei minha maneira de escrever meu espetáculo, reconheci meu valor, lentamente é verdade, mas reconheci que posso ser especial na vida de alguém simplesmente por ser EU. Aprendi que apenas sendo EU é que poderei fazer com que qualquer pessoa goste, ou não, de mim em qualquer área da minha vida. Entendi bem o que minha avó queria dizer com a frase: “Quem muito se abaixa mostra a bunda”.


Mesmo me dando conta de tudo isso errei novamente e entrei em um espetáculo confuso, com uma direção conturbada, onde o autor carregava uma mala muito pesada com traumas e medos. Nunca entendi muito bem meu papel nesse espetáculo, mas sempre me vi em um papel especial, pois houve sempre muito carinho. Essa pessoa passou a fazer parte do meu espetáculo. Ganhou um capítulo muito importante, pois me fez redescobrir o amor e todas as suas emoções positivas.
Quis com todas as minhas forças ajudar a desfazer essa mala para fazer que ambos os espetáculos ficassem mais leves, afinal ao desfazer a mala dele também estaria desfazendo a minha. Por mais que o autor do outro espetáculo me pedisse ajuda essa mala nunca nem sequer foi aberta. Mais uma vez eu vivi uma meia verdade, pois abri mão do que sentia e do que verdadeiramente queria em prol da mala alheia. Comecei a carregar um peso que não era meu. Mais uma vez meus sentimentos foram sufocados e esquecidos por mim.
A solidão mais uma vez foi minha companheira. Diminuí as luzes nesse lado do palco, e comecei uma faxina. Virava e mexia a luz se acendia e lá estava ele novamente com sua mala em meu espetáculo. Acuado no canto, me pedindo ajuda e eu por amor sempre tentava, mas comecei a notar que a cada saída dele eu me via ferida.
Em uma grande reviravolta da vida meu palco mudou de lugar. Tive que reconstruir todo o meu espetáculo, tijolo por tijolo, personagem por personagem, posição por posição e então optei por deixar a luzes apagadas no lugar que ele sempre aparecia. Faxinei completamente todo o meu palco e durante a faxina encontrei muitas recordações e a cada recordação muitas lágrimas rolaram.
Em contrapartida outros personagens ganharam muito destaque e me ajudaram muito nesse processo. Ajudaram que essa mulher se reconstruisse, se reinventasse, se valorizasse.
Depois de longos meses na escuridão ajeitei esse lado do palco. O deixei arrumado, sem fotos, sem lembranças e aguardo que alguém o ocupe. Sem pressa.
Há alguém muito legal em meu espetáculo, porém dessa vez acredito que eu tenha aprendido que a minha felicidade depende da importância e do valor que eu dou a ela. Minhas atitudes devem ser voltadas pra isso. Nesse sentido, entendo que eu preciso jogar limpo comigo e afastar de mim qualquer pessoa que não esteja disposta a viver.  
Os espetáculos não possuirão apenas finais felizes ou finais tristes, mas precisam ser vividos. O espetáculo vida não permite ensaio, logo, viver é o que nos resta. Os medos sempre existirão, mas não podem ser maiores que eu, não podem me amedrontar e me impedir de ser feliz.  Nesse momento não estou muito preocupada com o final feliz, mas sim em ter perto de mim pessoas dispostas a escrever um capítulo novo junto comigo. Em um oferecer ao outro o mesmo destaque, o mesmo papel. Não acho correto e justo comigo escrever um capítulo dando destaque a alguém que já avisou que escreverá um novo capítulo sem dar destaque a ninguém a não ser a si próprio, pois precisa faxinar o palco que alguém bagunçou.
Meu espetáculo segue e mais uma vez só cabe a mim escrever um novo fim para esse capítulo ou um novo capítulo para meu espetáculo. A escolha sempre será minha.