domingo, 1 de fevereiro de 2009

Avós

Existe algo de mais especial na vida de alguém do que poder chegar à fase adulta da vida e ainda ter os avós vivos?
Perdi meu avô quando tinha três anos, mas tenho lembranças dele até hoje. Foi o meu avô, meu pai e meu padrinho. Gostaria muito de tê-lo aqui, sei que tudo seria mais alegre, apesar de ter certeza de que onde está olha por toda minha família.
Sábado passado, minha avó comemorou 89 anos de vida e resolvemos fazer um bolinho na casa dela. Naquelas horas que estive lá me lembrei de tantas coisas, da pessoa que ela era e na que temos hoje em dia.
Minha avó sempre foi uma mulher forte, batalhadora... Ela e meu avô não chegaram nem a concluir o primário, mas criaram um filho que se tornaria médico e uma filha economista, mais todos os parentes que ajudaram a encaminhar, já que moravam na cidade.
Minha avó sempre foi pé no chão, já meu avô o sonho. Talvez por isso ficaram juntos até que a morte de meu avô os separou há quase 22 anos atrás. Ela permaneceu forte, vaidosa, religiosa, uma cozinheira de mão cheia. Adora vir pro Rio passar as férias com ela, apesar de não ser a neta predileta. O predileto sempre foi meu irmão mais velho (o primeiro neto homem) e minhas primas (primeiras netas), mas não tinha problema. Íamos à praia, ao cinema, tomávamos sorvete e comíamos muita batata frita, pois ela adorava e minha mãe não gostava que nós comêssemos. Não se metia em nossa educação, mas se necessário dava umas palmadas. Ensinou-me a rezar. Ouvia a Ave Maria sempre às 18hs na Rádio Globo e nos fazia ouvir também e a pedir a benção. Só então a televisão podia ser ligada. Era chato, mas hoje sinto falta. Quando tive pneumonia me obrigava a tomar vitaminas e sucos de uma em uma hora. Não suporto vitamina até hoje, mas agradeço a Deus por ter tido ela para ajudar minha mãe, pois a babá nunca me obrigava.
Quando mudei para o Rio fomos morar no mesmo prédio. Tivemos muitos conflitos. Fiquei sem ir a casa dela, mas hoje eu compreendo tudo. Adolescia.
De uns anos pra cá minha avó foi esquecendo as coisas aos poucos e se tornando dependente de tudo. Hoje em dia muito mal sabe quem é. Dói muito vê-la assim. No mês de dezembro nos deu um susto, pois tomou um tombo. Foi horrível. No dia de Natal tive uma crise de choro, sua fragilidade me fez acreditar que foi o último Natal dela “entre nós”. No dia de seu aniversário agradeci a Deus por tê-la aqui e por poder segurar sua mão e ouvir depois de tanto tempo “Minha netinha, eu te amo. Você é linda”. Cantamos um hino que ela gostava de ouvir na igreja (ela era do coral) e ela ficou alegre e até acompanhou o hino, eu a neta idiota, fiquei aos prantos. Ela não soube do câncer da minha mãe e nem sabe do câncer que meu tio enfrenta, mas se lúcida estivesse, ia cambalear, mas estaria ao lado dele, fazendo muitas vitaminas, sopas, papa, rezando e dizendo que aquilo ia passar, pois Deus é muito mais.
Vi que minha avó soube viver, soube ser mãe, amiga, mulher, pois ao término de sua vida tem muitas pessoas que a amam a sua volta, que cuidam dela com muito amor. Queira Deus que eu possa chegar ao término da minha vida assim.
Durante essa semana vi minha melhor amiga perder sua avó e todo sofrimento que isso trouxe a ela e a sua família. Chorei muito. Adorava a avó dela e o “vô” tadinho, está sofrendo muito. Estive com ela no fim do ano passado e ninguém podia imaginar que isso aconteceria. Vida e morte sempre caminhando juntos.
Tenho medo de perder “a minha”, por mais que a D. Natinha que esteja lá não seja “a mesma” da minha infância que dizia que não veria os meus 15 anos. E viu. Queria ela bem forte na minha formatura que ela sempre sonhou, mas Deus não quis assim. Então que seja feita a vontade dele.
Aproveitem esses anjos chamados avós. Ouçam bem o que dizem, pois seus cabelos brancos e suas rugas são sinônimos de experiência. Abracem e beijem muito, pois o manhã pode não chegar.
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Estou sumida. Meu tio está muito debilitado. E coisas não muito boas aconteceram nesse início de ano. Me dedicando mais à minha família e aos meus amigos, estão precisando de mim.
Bjoks