domingo, 4 de setembro de 2016

Livre

Essa semana fui inundada por recordações dos últimos 6 anos. Desses, ao menos 4, fiz papel de trouxa, mas quando demonstrar que gosta é fazer papel de trouxa, não é mesmo?  Logo eu que sempre busquei reciprocidade, nunca ofereci isso. Sempre dei além, muito além do que recebia.  Gostar é demonstrar, mas me coloquei de lado todos esses anos. Em todos esses momentos.
Nessa inundação de lembranças fui levada a refletir sobre tudo que se passou, na pessoa que era e na que sou. Lembrei-me de uma conversa com uma grande amiga quando ela me disse que eu olhava muito pra trás. E eu, rapidamente, disse que eu sentia falta daquela Carla que existiu. Na pessoa que eu me transformei durante algum tempo. Queria algum momento encontrar-me novamente comigo.

Meses depois conversando com outro grande amigo sobre o mesmo assunto disse o mesmo a ele e obtive uma resposta que foi semelhante a dois tapas na cara:  “Você não pode buscar um referencial no seu passado. Aquela Carla não existe mais. Você hoje é melhor que ontem, logo, não pode querer ser a Carla de antes. Está fazendo isso errado”.
Ele tinha razão, mas aquele ainda era um referencial. A vida foi seguindo. Eu parei de caminhar olhando pra trás, pois como diz a música “o passado é uma roupa que não me serve mais”.  Durante a inundação de lembranças me dei conta que não quero ser aquela Carla de ontem nunca mais. Aquela Carla não se amava o suficiente. Não soube exigir reciprocidade. Não soube fazer sua vontade. Não soube se valorizar devidamente. Ignorou todos os sinais que a razão e o próprio coração deram. Sofreu. Chorou. Aquela Carla se foi. E nunca, NUNCA mais quero ser igual a ela.
Entendo que aquela Carla de ontem construiu o que sou hoje. Que tudo que vivi serviu de aprendizado e pode sim ser um referencial, mas daquilo que não devo mais fazer.
Mais uma vez enxerguei e entendi que todo esse tempo que estou me dando é necessário para que eu possa me “re-conhecer” e amar de uma forma diferente. Entendi que quando prometi pra mim que não me envolveria com ninguém enquanto eu não me sentisse curada era porque eu precisava me amar acima de qualquer coisa.
Essa semana e, só nessa semana, que entendi que ser a Carla de ontem é tudo o que eu não posso ser.
Essa semana e, apenas essa semana, que eu consegui olhar pra trás e dizer com o coração leve e aliviado: Eis aqui hoje uma mulher livre do ontem. Eis aqui hoje alguém que não agiria mais daquela forma.  Eis aqui hoje uma mulher que é forte, que se ama como é (com todas as imperfeições que possui) e está pronta para o novo.

Finalmente, eis aqui uma mulher disposta e sem medo do amor.


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