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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Quanto cabe dentro de um obrigada?

Lembro-me do que pedi lá naquela Copacabana no Réveillon de 2015/2016. Foi só um pedido. Eu pedi com tanta força, mesmo sem acreditar que era possível. Mesmo sem acreditar que eu era capaz. Mesmo não crendo tanto em mim. Mesmo reaprendendo a me amar.
2016
passou e eu não fazia praticamente nenhum movimento pra que aquilo que pedi e, que parece tão simples aos olhos de tantos, acontecesse em 2016.
Aprendi que a vida muitas vezes dá muitas voltas pra atingir seu objetivo. E já no último trimestre as coisas começaram a mudar. E eu sabia que iam mudar. Meu coração dizia. Das coisas que a depressão me ensinou: a ouvir meu coração. A me sentir. A me respeitar.
Há pessoas que entram em nossas vidas com tanta força, intensidade que parecem até que sempre estiveram por ali. Parecem trazidas sob encomenda e embrulhadas para presente. Há tanta coisa em comum que chega a dar medo. Mas o medo bom. O “medo de você”.
Mas eu sei que aqui dentro de mim havia medo. E não era pouco. Talvez por isso, eu que nem ouço muito música sertaneja, tenha escolhido Medo bobo, como a música que marcou essa fase. Sim, como diz a música, "só dá pra saber se acontecer" e com certeza, foi muito melhor do que eu imaginei. Se eu soubesse teria feito antes: teria me aberto pra vida. 
Mas foi na hora certa. Do jeito certo. Com a pessoa certa. Sim, posso dizer com toda certeza que foi um presente. Foi o fim do meu medo bobo.
Pode não ter tido o “happy end” dos romances das comédias românticas que tanto gosto, mas teve tanta coisa boa. E nem quero ou vou fazer crítica ao que doeu, e dói ainda, das dúvidas que permeiam minha mente, dos questionamentos que ainda pulsam em meu peito, porque a vida me abraçou de forma bela. Resolvi olhar apenas o que foi bom. Tive o que pedi lááá no réveillon. E consegui superar muitas das barreiras emocionais que eu mesmo colocava (coloco?) no meu caminho. Barreiras que fizeram eu desistir de mim. De desistir de tentar viver algo bom por bastante tempo.
E foi natural. Eu fui eu. De corpo, alma, cara de pau, grosserias, sinceridade, sentimento, carinho, palavras, fala, olhos nos olhos, entrega e coração. E fui aceita. Fui querida. Fui cuidada. Fui acarinhada de uma forma que eu nem lembrava mais como era bom. Me senti viva. Feliz. Realizada. Encorajada e curada.
Das minhas batalhas diárias contra a depressão, talvez fosse essa a mais difícil. E por causa disso, não me sentia “curada”. Ainda me via como uma doente em recuperação. Minha auto-estima muitas vezes questionadas por mim. Meu amor próprio tantas vezes jogado ao chão. Ao longo dos últimos anos fui vencendo todas as batalhas, mas faltava as tais barreiras. Temia enfrentá-las, confesso. Mas com ele não foi uma batalha, foi algo natural. Foi como se eu nunca tivesse me escondido atrás de toda nuvem negra que me cercou.
Aprendi que a vida nem sempre é só sorrisos ou como queremos, mas ela é perfeita naquilo que se propõem a nos ensinar. Por isso, sou grata pela passagem dele na minha vida. Por isso, aquele vídeo que recebi dele com a música Photograph  no trecho que diz:
“Amar pode curar
Amar pode remendar sua alma
E é a única coisa que eu sei
Eu juro que fica mais fácil 
Se lembre disso em cada pedaço seu
E é a única coisa que levamos com a gente quando morremos

 Nós mantemos este amor numa fotografia
Nós fizemos estas memórias para nós mesmos
Onde nossos olhos nunca fecham
Nossos corações nunca estiveram partidos
E o tempo está congelado para sempre”

Fez tanto sentido. Depois tanto tempo eu, finalmente, me via curada. E ele foi o instrumento utilizado pelo Papai do Céu pra isso. E não esquecerei.
Acredito que não tenhamos nos amado. No sentido mais amplo da palavra. Até porque, descobri que o coração dele pertencia à outra, mas a tarefa a ser cumprida por ele na minha vida foi desempenhada com sucesso.
No meio de tantas emoções a flor da pele na minha ânsia de me defender, de não querer sofrer, de ter que afirmar e reafirmar mil vezes-pra mim (falando, escrevendo, postando) o quanto é importante eu me colocar em primeiro lugar, eu tenha cometido exageros. O que talvez não seja óbvio é que toda a armadura que eu possa ter vestido foi para proteger o ser frágil que pudesse vir a se esconder dentro dela (eu). O que também não foi evidenciado é que ao me afastar eu tentei além de me proteger, protege-lo de algo que, ao me ver, já era nocivo a ele. Já o fazia sofrer...A minha presença.  E não queria eu, justamente eu, o ferir. E abrir mão era só a alternativa que me restava. Por mim, mas também por ele.
Quisera eu, poder ajudá-lo a superar suas fraquezas. A “cura-lo” de algo que o fere. Que dói. Quisera eu ocupar um lugar especial na história de vida dele.
Somos tão parecidos. Tão teimosos. Tão resistentes às mudanças. Tão apegado às pessoas que nos fazem bem. 
Em nossa última conversa me via nos questionamentos dele. Me via nas escolhas que ele estava prestes a fazer. Como por exemplo, ter que provar para si mesmo que a culpa de não ter sido como se imaginou não era dele. De insistir em seguir pelo mesmo caminho, fazer igual e aceitar que o outro não faça esforço algum para mudar (até onde sei).  Onde só ele parece prezar pela felicidade de tantos. Só pra ter certeza de que fez tudo o que era possível. Eu fiz isso no passado! É de uma teimosia, de um orgulho e de uma vaidade sem tamanho! É um medo de construir algo novo, seja só ou acompanhado. Assim como eu! Um não suportar ser rejeitado. Um mundo desabando diante dos olhos dele, assim como desabou diante dos meus há poucos anos atrás. Mas ele precisa calçar os próprios sapatos e traçar os caminhos que ele escolher. Toda dificuldade nos faz mais forte. Nos faz melhor.
Que ele encontre pessoas que possam segurar na mão dele e ajuda-lo a seguir. Quero que ele seja feliz com as escolhas que fizer e que a vida o abençoe de acordo com o seu merecimento.
É difícil e estranho que alguém que estava inserido na minha vida, rotina e casa do nada me pareça um estranho. Quando é necessário medir o que vou dizer. Quando a espontaneidade vai pelo ralo. É estranho e dolorido demais. Essa obrigação que temos do dia pra noite de não falar mais. De ignorar, pra não doer tanto. De fingir ser indiferente, quando na verdade não somos.
É louco usar o pretérito imperfeito pra falar de algo que aconteceu faz 10 dias como se fosse na minha infância. Sem chance, motivo ou razão para acontecer novamente.
Hoje descobri que nem nas redes sociais ou aplicativos de mensagens podemos mais nos falar. Possivelmente meu número está bloqueado. E entendi que é um desejo dele que eu não mais participe de nenhuma forma da sua vida. Que não quer ter contato comigo. Foi triste, ver “meu presente”, “minha cura” não querer nem construir, quem sabe no futuro, uma relação de amizade e respeito, como nos prometemos. Mas entendo e aceito as escolhas e o jeito dele.
Eu o agradeci tantas vezes, mas com certeza ele não sabe que tudo isso estava dentro daquele "obrigada". Cabe muita coisa dentro dessa palavra e dentro desse sentimento de gratidão por tudo que vivi, aprendi, cresci. Não precisa ser eterno, mas precisa valer a pena. E valeu. 

O que eu diria a ele? 
Obrigada por tudo isso que escrevi acima. Obrigada por ter sido intenso, por um jeito feliz, conturbado e dolorido, ter me mostrado que eu voltei a me amar. Obrigada por ter passado pela minha vida. Por ter se feito especial pelo que é. Pelo que foi. Nem sempre algumas pessoas ficarão em nosso caminho, mas, certamente, não é por mero acaso que elas aparecem. Desculpe-me pelas falhas cometidas. Pelos possíveis “transtornos”. Pelas palavras firmes e duras. Só queria que você conseguisse ter mais firmeza e segurança nos seus passos. Só queria evitar que você trilhasse por caminhos que já percorri e sei o quão doloridos são. Se precisar de algo, estou por aqui. Se cuida. Com carinho e saudades. Carla. 




"A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim" ❤👫

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Gratidão - Pelo que dói

Quando pedimos algo a Deus: um sinal, um caminho, uma resposta temos que esperar que ele nos mostrará o que é melhor. E aceitar que nem sempre o que ele nos mostra é o que queremos.
Hoje o coração aflito para definir algumas questões. A tristeza dominava. O medo de tomar uma decisão e me arrepender. De ser injusta e ou covarde, pois olhava pra trás e pensava: “Será isso novamente? Ou será que a vida está me testando com a mesma história pra saber se vou tomar a decisão mais correta? Será que é pra saber até onde vai minha coragem?”
Mil perguntas sem respostas. Resolvi olhar para o alto e confiar na providência divina e no tempo dele. Coração apaziguou. E quando menos esperei me deparei com algo que foi a gota d’água. A tal resposta de que qual o caminho seguir. Não foi o que eu gostaria.  Tomei um “tapa”. Decepção é pior que um tapa. Dói de uma forma estranha, principalmente quando relacionado a uma pessoa. Questiona-se tudo o que viveu. Questiona-se toda a veracidade do que foi dito. Todo caráter da pessoa. Não esperava muita coisa, mas uma atitude madura e correta, no mínimo. Não foi assim. Que pena!  
Tremi. Chorei. Rezei. Agradeci: Por tudo o que vivi. Por tudo o que passou. Por tudo que aprendi. Há pessoas que passam em nossa vida para ensinar algo e nos preparar para o melhor que ainda está por vir. Pra nos mostrar a viver de outra forma, a enxergar a vida por outro prisma, a ter outras atitudes, pra despertar sentimentos e vontades já adormecidas. Por tudo isso, sou grata a Deus por tudo o que vivi, verdadeiramente, sem mentir, fingir ou fugir. Sendo completa, sendo verdade de corpo, alma e coração.
Nessas horas entendemos o porquê de dores anteriores terem sido tão fortes. Hoje durou uma hora. Já sei que passa e não morro. Bola pra frente. :)

Que eu possa seguir meu caminho em paz e ser feliz como realmente quero, luto e mereço.

 Lembrem-se sempre do que diz a frase abaixo: 




sábado, 29 de outubro de 2016

Seja livre

Não sei o que as pessoas esperam de mim. Sinceramente, não tenho pensado muito nisso. Penso no que eu quero pra mim. Chame de egoísmo. Azar! Estou preocupada em ouvir o meu eu interior (coração) que já se confronta o suficiente com meu eu racional. Imagina se fosse confrontar com mais ideias! Não dá!
As pessoas se surpreendem com o meu eu. Com minhas facetas. Com o tamanho da minha coragem, da minha força e com minhas fragilidades, com minha emoção sincera em assistir uma linda mulher pela trilhonésima vez. Sim, sou bruta, mas sou romântica! Sou esse misto de mulher fútil que se desespera ao ver um fio de cabelo branco, que fica pau da vida quando a unha quebra ou o esmalte lasca. E a mulher independente, dona de si, que troca o chuveiro, a torneira, monta móveis sozinha.  Sou a dona de casa que ama cozinhar, inventar pratos, decorar a casa, comprar flores... Sou aquela que vai trabalhar de scarpin e blazer vermelho, maquiada e cheirosa e que todos juram ser A executiva, mas nem é. Sou aquela que ama um all star e um jeans pra ir à Lapa, mas que tem dias que coloca um salto, um vestido com decote e faz a mulher fatal.
Sou aquela que não tem problemas pra falar sobre quase assunto nenhum. Que falta filtro entre o pensar e o falar diversas vezes, mas tem optado por não entrar em polêmicas, mas se entrar vou se colocar. Sem a intenção de convencer o outro, mas apenas expor o que pensa.
Sim, também falo abertamente sobre sexo o que não significa falar da minha vida íntima, preferências e hábitos. Muito menos signifique que eu quero “dar” pra um cara porque falei sobre sexo com ele. Sexo é sexo e ponto. Tenhamos maturidade para aprender a falar sobre isso sem fantasias. Cresça!
Sim, sou mocinha que sonha em encontrar e construir um grande amor, mas que embarca em loucuras de apenas uma noite. Por que não?
Sou aquela que os amigos lembram: Carla, seja mocinha. Uma mulher não deve falar desse jeito. E eu mando ir se F#&(@! Por essa sou eu. Simples assim.
Sou livre. Livre pra ser o que eu quiser, como e quando eu quiser. Sou livre pra viver a solidão ou escolher seguir ao lado de alguém. Sou livre pra escolher o melhor rumo pra tomar na vida. Sou livre pra reconhecer minhas falhas, meus equívocos, pra me desculpar.
Sou o que sou. Não sou comum. Não espere alguém que faça tipo, que se esconda ou se encolha pra caber na vida de alguém. Não espere alguém que fale o que você quer ouvir. Eu falo o que eu penso. Não espere o óbvio. Eu não sou óbvia. Espere a paz e calmaria, mas espere alguém que não foge de uma boa briga se a razão for justa e coerente.
Espere atitude e não palavras pra demonstrar meus sentimentos. Espere sentimento. Por aqui eles transbordam...

Não espere nada de mim. Espere apenas o que eu espero do outro: Sinceridade e coragem para ser o que é. Seja! Porque eu apenas SOU. Aceite. 

domingo, 4 de setembro de 2016

Livre

Essa semana fui inundada por recordações dos últimos 6 anos. Desses, ao menos 4, fiz papel de trouxa, mas quando demonstrar que gosta é fazer papel de trouxa, não é mesmo?  Logo eu que sempre busquei reciprocidade, nunca ofereci isso. Sempre dei além, muito além do que recebia.  Gostar é demonstrar, mas me coloquei de lado todos esses anos. Em todos esses momentos.
Nessa inundação de lembranças fui levada a refletir sobre tudo que se passou, na pessoa que era e na que sou. Lembrei-me de uma conversa com uma grande amiga quando ela me disse que eu olhava muito pra trás. E eu, rapidamente, disse que eu sentia falta daquela Carla que existiu. Na pessoa que eu me transformei durante algum tempo. Queria algum momento encontrar-me novamente comigo.

Meses depois conversando com outro grande amigo sobre o mesmo assunto disse o mesmo a ele e obtive uma resposta que foi semelhante a dois tapas na cara:  “Você não pode buscar um referencial no seu passado. Aquela Carla não existe mais. Você hoje é melhor que ontem, logo, não pode querer ser a Carla de antes. Está fazendo isso errado”.
Ele tinha razão, mas aquele ainda era um referencial. A vida foi seguindo. Eu parei de caminhar olhando pra trás, pois como diz a música “o passado é uma roupa que não me serve mais”.  Durante a inundação de lembranças me dei conta que não quero ser aquela Carla de ontem nunca mais. Aquela Carla não se amava o suficiente. Não soube exigir reciprocidade. Não soube fazer sua vontade. Não soube se valorizar devidamente. Ignorou todos os sinais que a razão e o próprio coração deram. Sofreu. Chorou. Aquela Carla se foi. E nunca, NUNCA mais quero ser igual a ela.
Entendo que aquela Carla de ontem construiu o que sou hoje. Que tudo que vivi serviu de aprendizado e pode sim ser um referencial, mas daquilo que não devo mais fazer.
Mais uma vez enxerguei e entendi que todo esse tempo que estou me dando é necessário para que eu possa me “re-conhecer” e amar de uma forma diferente. Entendi que quando prometi pra mim que não me envolveria com ninguém enquanto eu não me sentisse curada era porque eu precisava me amar acima de qualquer coisa.
Essa semana e, só nessa semana, que entendi que ser a Carla de ontem é tudo o que eu não posso ser.
Essa semana e, apenas essa semana, que eu consegui olhar pra trás e dizer com o coração leve e aliviado: Eis aqui hoje uma mulher livre do ontem. Eis aqui hoje alguém que não agiria mais daquela forma.  Eis aqui hoje uma mulher que é forte, que se ama como é (com todas as imperfeições que possui) e está pronta para o novo.

Finalmente, eis aqui uma mulher disposta e sem medo do amor.


terça-feira, 12 de julho de 2016

Caminhos

Outro dia uma amiga escreveu que bancar, em todos os aspectos, certas decisões e escolhas feitas ao longo da vida é tarefa das mais difíceis. No dia pensei ser mais um drama dela, mas dias depois senti na pele, mais uma vez, que realmente, mergulhar na vida que escolhi ter, remando contra a maré, para alimentar projetos pessoais e sonhos dos mais diversos, exige muita resiliência e resignação.

Não é todo dia que se acorda disposto a ver a dura realidade sendo estampada na cara, ver as feridas doendo, a conta corrente no vermelho, as contas chegando, as cobranças profissionais, as pessoais e encontrar dentro de mim a força de vontade, o entusiasmo e a determinação para dizer e sentir: “É só mais um dia. Chegarei lá. Vou refazer meus planos mais uma vez. ” Não, não é fácil. Tem dias que dá vontade se aceitar viver a mesmice, aceitar o que faz o caminho não tão difícil, que é a zona de conforto.

Aceitar a proposta e voltar a fazer aquilo que domino, que traz resultados financeiros mais rápidos, mas que não me faz em nada feliz, não me faz sentir viva. Aceitar ficar com o cara que não me faz sentir arrepios e não ficar sozinha. E por aí vai...!

Dá vontade de abrir mão de tantos outros sonhos pra ter uma vida mais confortável. Mais estável e com menos renúncias. O pranto rola às vezes. O coração aperta. Tenho vontade de pedir colo. A quem? É inevitável olhar pra trás e ver onde já estive em alguns aspectos e me questionar se tudo isso vale a pena.

O futuro, a curto prazo, só me mostra mais e mais restrições, renúncias e cobranças. O pensamento voa até o passado e vai ao futuro desejado por mim. Enumero as escolhas erradas. As frustrações acumuladas. Vejo que, mais uma vez, vestir o papel de vítima não me cabe. Tenho responsabilidade e “culpa” em tudo isso.

Enxugo as lágrimas. Respiro fundo e me vem à mente um pensamento que diz algo parecido com: “Muitas vezes o fator determinante da vitória não são as escolhas, mas sim as renúncias. ”
Penso em tudo que se passou na minha vida e vejo que caminhei muito mais que eu esperava. Venci em tantos aspectos, por mais que as feridas ainda não estejam saradas, por mais que sangre e doa. A vida tem me retribuído de forma inesperada. Só me resta fazer a minha parte e aguardar que de alguma forma eu colha o que ando plantando em todos os aspectos.

Segue o texto que tem me acompanhado nos bons e nos maus momentos:



“Em todos os caminhos da vida, encontrarás obstáculos a superar. Se assim não fosse, como provarias a ti mesmo a sinceridade de teus propósitos de renovação?
Aceita as dificuldades com paciência, procurando guardar contigo as lições de que se façam portadoras.
Com todos temos algo de bom para aprender e em tudo temos alguma coisa de útil para assimilar.
Nada acontece por acaso e, embora te pareça o contrário, até mesmo o mal permanece a serviço do bem.
A resignação tem o poder de anular o impacto do sofrimento.
Se recebes críticas ou injúrias, não te aflijas pela resposta verbal aos teus adversários.
Muitas vezes, os que nos acusam desejam apenas distrair-nos a atenção do trabalho a que nos dedicamos, fazendo-nos perder preciosos minutos em contendas estéreis.
Centraliza-te no dever a cumprir, refletindo que toda semente exige tempo para germinar.
Toda vitória se fundamenta na perseverança e sem espírito de sacrifício ninguém concretiza os seus ideais.
Busca na oração coragem para superar os percalços exteriores da marcha e humildade para vencer os entraves do teu mundo interior.
Aceita os outros como são a fim de que te aceitem como és, porquanto, de todos os
patrimônios da vida, nenhum se compara à paz de quem procurar fazer sempre o melhor, embora consciente de que esse melhor ainda deixe muito a desejar.”

(André Luiz e Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 5 de abril de 2016

A depressão

E a vida nos atropela de uma forma absurda. Julgamos ter o controle de tudo. Estabelecemos 1001 metas. Vamos correndo em busca de todas de uma maneira insana. Chegamos onde muitos gostariam e, por essa razão, muitas vezes pensamos demais quando não queremos mais permanecer... Quando desejamos sair desse tal lugar.
“Como pode um lugar que todos desejam estar e eu querendo sair?”
E assim vivi durante algum tempo em algumas áreas da minha vida. Julgando que eu estava “virando as costas” pras conquistas que obtive no passado. Em alguns momentos me senti até ingrata.
O fato é que a vida é muito mais do que isso. A insatisfação tomou conta de mim. E quando não tomamos uma atitude em nosso favor diante da vida, a vida nos sacode. A dor física e emocional estão aí, muitas vezes, para mostrar o que realmente importa.
Sim, havia medo. Havia orgulho, vaidade. Medo da mudança. Medo de tantas outras coisas. Havia sonhos. Muitos sonhos.
E assim, meio que na porrada, com lágrima, suor, cansaço fui promovendo, a duras penas, todas as mudanças. Caindo e levantando. Fui me afastando de todos. Nada mais tinha graça. Nada mais tinha motivação. Não havia mais vontade. Apenas sono, dores físicas, noites em claro com muito choro, solidão. Dizia para alguns mais chegados: “Viver pra mim tem sido fazer o certo e seguir o script.”
 A vontade, aquela que brota lá de dentro, não existia mais. Dizia, pro ex-amor: “Há um vazio aqui dentro que não sei o que é.”
O amor próprio se foi. Tentava me sentir bem comigo mesma. Mas não me sentia bela. O sentimento de não tenho valor nenhum como ser humano era forte. Qualquer crítica me derrubava. A beleza externa, era secundário, mas a vaidade, aquela positiva que todos devemos ter, também se foi. Nunca mais havia me enxergado viva, bela, gostosa. O vazio foi crescendo.
Um dia a noite, ao assistir uma reportagem tive um estalo: “Preciso de ajuda profissional.”
Após as primeiras sessões o diagnóstico: Depressão e sucessivas crises depressivas. O susto. A não aceitação. Perguntei a psicóloga: Isso é só porque preciso dar continuidade ao tratamento pelo plano. Não tenho isso. Tenho?
Ela apenas me olhou.
Uma bomba. Estou com depressão. Como? Eu? Senti vergonha. Não falei pra ninguém. Chorei. Lembrei de tudo que eu havia lido e visto. Fui ler mais. A porrada da realidade ali em cada linha que eu lia a respeito da doença.
Pensei: “ Não cheguei no fundo do poço. Não posso ser vítima. Preciso reagir.”
Mas a vida, quando bate, bate muito forte. As coisas não iam bem. Até pra ir trabalhar eu chorava. Andar de metrô, lugares fechados, trem, muita gente eu não conseguia ficar. Cheguei no fundo do poço algumas vezes. E nesse tal fundo do poço, chegamos sozinhos. E a decisão de ficar lá ou não é apenas de quem chegou lá. Levantar é tarefa individual, mas encontrar a saída não. Precisamos pedir ajuda de quem nos ama. Dizer a verdade. Os colos, abraços, braços, aparecem. Nos resgatam. Mas é preciso coragem pra tomar a decisão de sair, não apenas do fundo do poço, mas também do casulo chamado depressão.
A vida sempre nos devolve o que queremos. Sempre colhemos o que plantamos, mas o que plantamos com o coração. E o universo conspirou demais ao meu favor. Deus, toda a espiritualidade de luz, me fortaleceram e me ampararam. Minha família, as pessoas que me amam, das quais eu me afastei, a casa espírita que frequento, todos tiveram muita importância em todo esse processo.
Do diagnóstico até hoje já se passou 1 ano e meio. Procurei ajuda dois meses antes.
Nesses quase dois anos do início do “processo de tratamento/conhecimento/ cura” me descubro em cada pequena vitória, seja ir em um grande show tipo o rock in rio e ficar bem ao ficar presa no metro sem o desespero. Em conseguir seguir a dieta pra eliminar parte dos 14 kg que ganhei nesse processo depressivo. Cada gr perdida, cada roupa que volta a caber é uma vitória que eu tenho. Me olhar no espelho e me sentir linda. Trabalhar feito um burro de carga em um emprego que amo, mesmo tendo metade do mundo dizendo que sou burra por ter jogado minha vida profissional fora. Encontrar meus amigos e, de fato, estar ali com eles (muitas vezes estávamos juntos fisicamente mas minha cabeça era só tristeza e vontade de voltar pra casa) e me sentir feliz por isso. Ver que o sentimento de inadequação vai embora aos poucos. Ouvir duras críticas e acusações sem fundamento de alguém que amo durante uma discussão e entender que o problema, dessa vez, não está comigo. E ficar bem. Mesmo calada. Felicidade ao me abrir pro amor novamente, com medo de sofrer, de doer, mas vamos lá!
Há muitos altos e baixos. Não é só vitória. Mas os problemas possuem o tamanho que damos a eles. Caí! Levanto, assopro a poeira e entendo que aquele não é o caminho e preciso de outro. Sem dramas.
Hoje resolvi vir trabalhar com uma das roupas que voltou a caber. Prendi o cabelo, como sempre gostei, passei um hidratante, perfume, baton e make mais linda que existe: o sorriso. Cheguei no escritório que estou há um 1 ano e dois meses e tomei um susto de ouvir de alguém: “Nunca te vi assim. Está linda.” E assim como tem acontecido com frequência (ainda bem!) me senti viva novamente. Vi que por um tempo eu realmente não vivi, apenas existi.
Viver exige coragem. Saber reconhecer as falhas e fragilidades também. O monstro chamado depressão ainda, vez ou outra, ronda. Mas autoconhecimento é fundamental. Hoje não me permito mais nem ficar muito tempo deitada. São lembranças de um lugar que já frequentei e não tenho o menor interesse de voltar. Depressão não igual a uma gripe que chega e nos derruba logo. Ela é um visitante chato, mas que chega e vai se instalando aos poucos. É o vazio que vai aumentando até sufocar. Um processo lento e que muitas vezes nem percebemos. Na primeira sessão com a psicóloga ela perguntou: “Quando isso começou?” Até hoje não sei responder. Mas sei quando começou a acabar. :) 

Há muito, mas muito mesmo a ser superado. A cada estalo novo, vou virando a luz pra um lugar que estava no escuro ainda. E confio que em
algum momento tudo será luz novamente.


"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós." Jean-Paul Sartre

domingo, 31 de janeiro de 2016

Palavras... Apenas?


Hoje as palavras que sempre se fazem tão utilizada por mim, que falo pelos cotovelos, me faltaram e, mais do que faltar, a ausência delas me sufocou, me feriu. Se transbordou em lágrimas , em um choro sufocante também. Por vezes senti que faltava o ar.
Das limitações mais difíceis e complicadas das que possuo, não saber fazer uso das tais palavras pra expressar meus mais puros e sinceros sentimentos é o que mais me tortura. Engulo todos (os sentimentos e as palavras). Sofro de “indigestão” pelo que eu não consegui dizer, mostrar, demonstrar, mas que consigo sentir como toda a força do mundo.


Hoje mal pude conter o que acontecia dentro de mim. Parecia que não conseguiria segurar e estouraria a qualquer momento, mas eu, mais uma vez engoli. É dói me sentir frágil, derrotada, covarde. Senti medo e não sei que medo é esse, que força é essa que impede que eu faça o que deva ser feito, diga o que deve ser dito. Que força é essa que me impede de tentar ser feliz. De ser eu, da forma mais natural possível. 
As palavras tem poder, ou melhor, poderes. Ela constrói e destrói. E hoje ter engolido, não só as palavras, mas tudo o que sinto me feriram demais.